ARTIGOS II

A transição da filosofia de Kant para a psicologia moderna opera uma mudança de perspectiva fascinante: a mente deixa de ser uma folha em branco que registra passivamente o mundo e passa a ser uma agência ativa, uma arquiteta da experiência.

Immanuel Kant inverteu o jogo na filosofia: em vez de a nossa mente se moldar passivamente aos objetos do mundo, são os objetos que precisam se regular pela estrutura da nossa mente para que possam ser conhecidos.

Zygmunt Bauman cirúrgico em seu diagnóstico no livro Modernidade Líquida. A transição da modernidade “sólida” — onde as instituições, os casamentos e os empregos eram feitos para durar — para a modernidade “líquida” transformou radicalmente a nossa experiência no mundo. Quando tudo derrete e escorre pelas mãos, a própria essência do que significa...

Trouxe uma síntese que captura com uma precisão cirúrgica o coração do pensamento de Byung-Chul Han. É uma leitura dolorosa, mas profundamente necessária para os dias de hoje. O grande truque do século XXI foi nos fazer acreditar que a liberdade significa acumular funções, metas e "entregas", transformando o chicote do feitor em um aplicativo de...

O pensamento de Hannah Arendt funciona como um espelho incômodo para a condição humana. Ao analisar a gênese dos regimes mais sombrios da história moderna, a filósofa alemã não apontou apenas para os palanques dos ditadores, mas para o silêncio e a passividade das massas. A partir de suas três premissas fundamentais — a abdicação do pensar em troca...

A "Carta ao Pai" (Brief an den Vater), escrita por Franz Kafka em 1919, é muito mais do que um desabafo pessoal; é um dos documentos mais contundentes sobre as dinâmicas de poder, opressão e formação da subjetividade na literatura ocidental. O texto, que nunca chegou a ser entregue ao seu destinatário (Hermann Kafka),...

A intersecção entre a filosofia clássica, o realismo psicológico de Dostoiévski e a Logoterapia de Viktor Frankl revela que o livre-arbítrio não é apenas um conceito abstrato, mas a ferramenta fundamental para a construção do sentido em meio ao sofrimento.

A obra Noites Brancas de Dostoiévski oferece um laboratório perfeito para dissecar as fronteiras entre a solidão (o isolamento imposto e doloroso) e a solitude (a escolha deliberada de estar só para o cultivo do eu). Através da figura do Sonhador, podemos traçar um diálogo interdisciplinar sobre a condição humana.

A obra de Erich Fromm permanece como um dos pilares mais robustos para compreendermos a intersecção entre a psique individual e as estruturas sociais. Ao integrarmos as reflexões de O Medo à Liberdade, A Arte de Amar e Análise da Sociedade Contemporânea, emerge uma visão multidimensional do ser humano que tenta equilibrar o desejo de autonomia com...