Bhagavad Gita e Psicologia Analítica de Jung: Um Diálogo Profundo entre Oriente e Ocidente

13/07/2025

A relação entre o Bhagavad Gita e a psicologia analítica de Carl Gustav Jung é rica e simbólica. Diversos estudiosos e analistas junguianos interpretam o Gita como uma narrativa arquetípica que espelha o processo de individuação - conceito central na obra de Jung.


1. Arjuna e o Ego em Crise

* Arjuna, o guerreiro em conflito, representa o ego humano diante de uma decisão existencial.

* Sua paralisia diante da batalha simboliza o momento em que o indivíduo se confronta com suas sombras internas, medos e dilemas morais.

* Jung via esse tipo de crise como o início da jornada de individuação - o caminho para integrar os opostos da psique.


2. Krishna como o Self

* Krishna, guia espiritual de Arjuna, é interpretado como Self junguiano - a totalidade da psique que transcende o ego.

* Ele orienta Arjuna a agir com desapego e consciência, promovendo o reto-agir, conceito que se alinha à ideia junguiana de viver em sintonia com o Self.


3. A Batalha como Metáfora Psíquica

* A guerra entre Pandavas e Kauravas é vista como uma luta simbólica entre forças internas: luz e sombra, consciência e inconsciente.

* Arjuna precisa reconhecer e integrar os aspectos sombrios representados pelos Kauravas para alcançar a plenitude psíquica.


4. Processo de Individuação

* O Gita pode ser lido como um manual simbólico da individuação, onde o indivíduo passa por:

  • Confronto com a sombra
  • Reconhecimento da persona
  • Diálogo com o Self
  • Superação da dualidade

* Essa jornada leva à auto-realização, objetivo tanto do Gita quanto da psicologia analítica.


Estudos Acadêmicos

Pesquisadores como Maria Zélia de Alvarenga e Adriano Rosatti Campo propuseram leituras simbólicas do Gita à luz da psicologia junguiana. Eles destacam como o texto pode ser usado para compreender os complexos psíquicos, a função transcendente e os arquétipos presentes na psique humana.


Conclusão

O Bhagavad Gita e a psicologia de Jung convergem na ideia de que o ser humano precisa enfrentar seus conflitos internos, integrar suas polaridades e viver com autenticidade. Ambos propõem uma jornada espiritual e psicológica rumo à totalidade.